O pequeno banheiro havia voltado ao normal, mas Benjamin continuava imóvel subia até o alto de sua nuca um calafrio, um medo terrível que aquilo não fosse um sonho, acreditava ele na mais louca das hipóteses ter entrado em algum de fantasia, algum contos de fadas ou filme de aventura, entretanto o mais cruel era o fato dele não conseguir lembrar de nada, daquele mundo considerado normal que ele havia simplesmente acordado e mais surpreendente era a ideia que havia outro mundo místico, essa ideia absurda só perdia para outra ainda mais intrigante era a de como ele sabia tanto dali e de como agir naquela situação sem sentido já que ele não recordava de exatamente nada, rompendo sua nuvem de pensamentos a voz aguda que ele ainda não conhecia o rosto falou:
- Menino! Chega de demora! Hoje é seu último dia de aula aqui, tome logo esse banho e saia já daí, entendeu? Agora!
A exigência daquela pessoa seria atendida. Benjamin resolveu que a água do chuveiro iria acalmar sua cabeça! A água fria descia sobre sua testa enquanto ele permanecia de olhos fechados lembrando de cada palavra dita por aquele que se intitulou por seu pai, porém novamente a mulher reclamava:
Ricardo Maia de Ribas garoto mal criado saia já desse banheiro! Entendeu?! Essa é a última vez que te aviso, não me desafie.
Sem mais demora, ele enxugou-se com a tolha verde, que ficava presa por um pequeno gancho atrás da porta, terminado pegou a roupa que estava em uma cestinha que ficava ao lado da entrada, sem ter certeza que era aquela que deveria usar, mas a vestiu. Uma calça azul-marinho aparentava ter sido tingida, contudo era nova, uma cueca branca e uma camisa branca, coma gola azul com uma linha também branca e com um brasão laranja no peito, vestiu-se e rapidamente saiu do banheiro, foi ai que ele viu pela primeira vez uma mulher branca, cabelos pretos que desciam no ombro rosto pequeno, com uma aparência jovial, entretanto algumas marcas da idade. Nesse instante ele ficou parado e fixou-se olhando a mulher com e nos olhos um ar de espanto por alguns segundos, ela o interrompeu dizendo:
- Já é hora de ir pro colégio e você ainda nem almoçou, demorou muito nesse banho, o que há com você? Hoje parece que é outro planeta de tão desligado e ainda me desafiou. Não pensa que esqueci, contudo Benjamin continuava fixado no olhar, só que nas roupas da mulher uma blusa azul e um short jeans velho feito de uma calça cortada, então a impaciência dela aumentou e um berro saiu:
- R I C A R R R R D O O O O O ...
O susto do grito trouxe-o novamente a si e respondendo gaguejando:
- N N Não é na na nada, só estou meio distraído!
Novamente outra pessoa, falando alto, porém uma voz masculina interrompe Benjamin!
- Rita! Rita! Rita?!
Então a mulher responde:
Estou aqui Antunes na área do banheiro, foi quando um homem de meia estatura invade aquela pequena sala que era divida entre o banheiro e um quartinho que fechado com uma cortina o qual Benjamin olhava atentamente, até que a mulher fala ao homem:
- Antunes dê um jeito nesse teu filho, hoje ele parece mais um astronauta, faça-o voltar a terra e leve a Indara na escola já que Ricardo não precisa fazer nada aqui além de me desafiar.
Dito isso Benjamin olhou para o homem com um olhar tão penetrante que quase chegava a enxergar a alma. Entender-se-á bem aquele era o seu pai. Um senhor que aparentava ter uns 40 anos, pele negra, poucos cabelos, rosto suado e cansado, mãos fortes e um corpo de porte médio que expressava irritabilidade. O olhar fixo dele foi duramente cessado quando Antunes apertou seu braço franzino com força bravamente dizendo:
- Hoje pra você não tem almoço, vá agora pra escola!
A tensão e a repressão dele o fizeram pegar a mochila que ganhará do mago e seus cadernos e sair em passos lépidos. Benjamin saiu daquela casa tão facilmente que nem se dera conta do caminho que fazia e de onde deveria ir, pois ele só desejava uma resposta esclarecedora, naquela hora seu peito encheu-se de angustia, medo e tristeza e com esse turbilhão de sentimentos tão avassaladores, ele pediu apenas uma explicação e de seu rosto desceu uma lágrima que seguiu até seu queixo indo de encontro ao chão, logo após várias outras a acompanharam procurando descer de sua face. Benjamin não entendia o que acontecia e tudo que ele sabia foi dito por pessoas estranhas ou por seres mágicos inacreditáveis. Outra vez interrompido, alguém gritava:
- Ribas! Ribas! Ribas!
Atônito, ele vira o rosto com um reflexo quase instantâneo. Parado ali ele vê um rapaz moreno claro, cabelos negros e lisos, um nariz de tão perfeito que parecia ter sido esculpido a mão, um sorriso doce e muito amigável, estatura mediana e um corpo meio forte, que usava a mesma farda que Benjamin vestia, porém ele usava uma mascará no rosto, entretanto sabia ele que não se tratava de nenhum ser mágico, pois seu coração batia muito forte e todos os sentimentos ruins haviam sumido, dando lugar a algo especial e com isso Bem correu alcançou o rapaz e o abraçou e continuou a chorar.
Parecendo entender o que passava o rapazinho a afagou, o afastou levemente e olhou nos olhos vermelhos de lágrimas e falou lentamente:
- Sei que deve ser difícil, seus pais, sua partida e você ainda não sabe como dizer a Leila não é? Não fique assim nós somos amigos estou aqui com você e a Leila te ama ela vai entender, sua viagem vai te trazer muita evolução e te livrar desse sofrimento todo. Agora aprece-se estamos atrasado e tenho uma grande surpresa pra você!