Resolvi mudar de vida, joguei fora teus poemas,  troquei os meus amigos e quis fugir pra bem longe, cegar-me ou salvar meu destino. Um pecador sem inocência, sabe o que está fazendo, se envolve, cria trama e quando vê, está perto, esticado em uma cama qualquer. Eu posso até esquecer o prazer de te ter, mas sei que nada é à toa, já que estamos aqui. Quanto mais eu me viro mais posso te ver. Aqui jaz, o maior dos motivos, perigo é viver, pois sei que ao anoitecer eu vou pensar em você! Não encontro outra saída, hoje encerro a minha saga, tranquei meus artifícios e o que senti você bem perto, agora não sei porque não se afasta. Roedor fora da toca, sabe onde está se enfiando, move-se com cautela e quando vê, está desperto, procurando o que sempre quer...




Solte agora minhas algemas, elas só acariciam minhas mãos, tome de volta suas pétalas frescas,que usou para enfeitar o meu chão. Ah! se fossem, somente minhas acorrentaria em você os meu pés, mas só de pensar me dá um frio na espinha. Sei muito bem que tipo de rei você é! Reina em um palácio cheio de mais e ceia sempre depois dos seus elogios reais. Saia daqui agora e não pise nunca mais em mim, eu não sou mais um súdito. Ponha-me na rua sem armadilhas, é lá que eu me sinto melhor, mande me enforcar ou conhecer a guilhotina, só assim me livrarei do pior. Ah! se eu fosse seu rei não teria tantos olhos onde você furar, nem que caísse na sua ladainha, sempre haveria alguém pra vir coroar você.


E assim sem resolver me vejo sem saída, dentro dessa vida que você me deu. Sem apressar-te ensaio a despedida fora dessa estória! Quem sou eu? Quase que uma sombra, quando o sol se esconde, vejo-me ali sumindo. Mesmo sem querer você me apaga, no escuro vou te assistindo. Sei que uma hora você vai de vez e eu vou dizer que ainda não é tempo, sabendo que esse dia vai chegar e eu não quero ouvir, por isso não lamento e assim fingindo tanto que me perco nas horas, jurando que o seu problema é meu, tantas pistas simples do seu desconforto ao lembrar que ainda vou pagando o preço... Sei que uma hora você vai de vez e eu vou dizer que ainda não é tempo em voz alta.

Eu sei as vezes tenho um certo medo da vida, mas de você eu nunca mais quero ter. Se esfregar a minha ferida pode ter certeza que não vai doer mais do que descobrir depois, o que já havia de ser dito antes, mesmo que acabasse com meu coração. Sempre achei que lia o que os seus olhos diziam nunca imaginei que enxergasse assim, mesmo quando as coisas já não mais cabiam, dentro de nós dois sempre achei que era tão irrelevante. Perto do tamanho do que eu sinto nunca tive dúvidas que tudo acabaria bem! Agora onde acho a palavra certa que defina onde abandonei o meu rumo, muitas vezes eu te desviei da meta, mas nunca perdi você de vista no fundo, sei muito bem me arrepender, só não sei se dentro de você ainda vivo, perto do tamanho do que eu sinto, nunca tive dúvidas que tudo acabaria bem.

A tormenta que te monta, não pode chegar aos pés da calmaria! Hoje você vive a se apaixonar a cada dia, esquecendo o dia que terminou, vivendo histórias felizes. No momento que a sua cabeça toca o travesseiro, será que você consegue não pensar em ser feliz? Seria assim tão linda sua história, se você não fosse a continuação de sua própria alienação de paixões instantâneas, de feitiços incuráveis, de corações partidos, pessoas que estão na sua lista negra. Então conte-me como você é capaz de amar tantas vezes no ano? Cubro-me de remorso por ter sido tão infeliz e feliz, cada promessa sua era como o ar que passa pelos meus pulmões essencial, no entanto é muito fácil de encher meu peito, curar meu sangue e então novamente ser posto para fora totalmente inutilizável, além de tudo seu amor é poluído de imensas ilusões e a quantas pessoas pessoas você dirá eu te amo? Não tente, convencer-me que o amor é algo que flui, pois sendo assim, eu passaria acreditar que ele é algo tão banal e dispensável, que podemos viver totalmente felizes sem ele. Hoje você crê na ideia de um ódio, hoje eu creio na ideia de não querer mais. Se há valor no seu sentimento, eu dispensaria algo que todos podem pagar de maneira tão febril e imoral, seja quem for na sua vida, mas não seja alguém como você é, pois tenho certeza que em momento algum em toda sua linda e bela vida, majestade tu te perguntaste como eu amo e esqueço tão rápido. Por favor não me venha explicar-me no discurso radical de não querer, pois sendo assim, você é radical de conhecer alguém em um dia e dizer eu te amo, pois seu amor comunista, repartido para tantos, como alma capitalista levado pelo maior lance, ele é um mal intencionalmente criado por você mesmo para não se sentir sozinho. Não me interessa se você me acha assim tão louco, mas ficaria a minha dúvida em saber, quem é tão alienado em se apaixonar tanto, esquecer ainda mais? Louco é aquele, que cria laços e os rompe tão sorrateiramente, louco é aquele que fantasia um mundo imaginário. E se hoje eu tenho um coração de pedra, só tenho a dizer ele é duro, ele é invulnerável como diamante, tão resistente e tão caro que pessoas como você jamais poderão comprar e não o levarem ele tão levianamente, para a tocaia dos esquecidos, dos imundos e ignorantes. Então meu rei, cuidado ao dizer eu te amo, você pode esta proferindo as palavras mais traiçoeiras para alguém que não te conheça tão bem como eu agora te conheço.

Você é testemunha do que está acontecendo, não, não faça cerimônia! Eu adiei todos os meus compromissos e não se apresse em me abandonar,  eu ainda tenho as minhas mãos e os meus ouvidos, sinal de alerta e uma velha dúvida pra tirar. E se as minhas mãos e os meus ouvidos nunca mentem, a quem eu quero enganar? Quem você vai enganar? Seu troféu é à toa e o seu rei, sem coroa, seu troféu é à toa, o seu rei está na barriga de um vencedor e nos confetes que ele ganhou, assim é o vendaval: a fantasia de todo carnaval. A quem a gente quer enganar? Quem vocês vão enganar? Mais um palhaço no seu carnaval. E eu sei que você também pensa que não, embora esconda em vão, mas o tempo é passageiro e vai... Vai dobrar os joelhos!

Enquanto ele sai por aí, manchando o rosto de batom. Eu quero ver quem vai fingir, em me dizer que a solidão é bem melhor. Não sei bem ao certo onde ele está, deixa tudo aqui dentro e me espera para dançar, aquela música daquele tempo, mais uma vez com você! Foi tentando retribuir um antigo elogio, que eu lhe dei a chave da porta da frente, para que você me tirasse de um incêndio que eu mesmo causei na minha mente, teias e retalhos e retratos, de repente, perdem os sentidos, é solta a minha mão, se somos dois perdidos, talvez você tenha razão. Eu percebi hoje à noite, que eu não posso esperar mais, embora odeie deixar-te para trás, o tempo é curto e eu não preciso de um abraço apertado demais, nem dos conselhos de ninguém.